Desnudos: vaidade, egoísmo e o perigo de viver apenas pelo que os olhos veem
- Edilaine Patrícia Leoncio
- 8 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de jan.
Poema: Desnudos
Estamos desnudos e frágeis
Prensados pela multidão
Que com olhares e palavras
Julga sempre estar com razão
Entre flashes, filtros e desafios
Nada é sólido e escorre
No veneno da saliva alheia
Na qual a lucidez morre
Desejo atrás de desejo
Fome atrás de fome
No assassinato da verdade
A alma desnuda se consome
Muito barulho, pouco sentido
Caminham todos distraídos
Despencando aos milhões
Ao abismo somos atraídos
Felizes os que são vestidos
Retirados estando na borda
Calando as vozes da loucura
Para ouvirem o amor que transborda
Autoria
Edilaine Patrícia Leoncio
Quando a vaidade nos expõe e o ego nos governa
O poema “Desnudos” apresenta um retrato contundente do ser humano contemporâneo: exposto, frágil e pressionado por uma multidão que julga sem misericórdia e se posiciona como dona da verdade. É a imagem de uma sociedade barulhenta, onde todos falam, poucos ouvem e quase ninguém reflete.
Vivemos cercados por estímulos visuais, discursos chamativos e promessas sedutoras. Como diz o ditado popular, nem tudo o que reluz é verdade, nem toda voz alta carrega sabedoria. Embora não seja um texto bíblico, esse pensamento encontra eco claro nas Escrituras, que repetidamente nos alertam sobre o perigo de viver apenas guiados pela aparência.
Um exemplo marcante está em Gênesis 13:10, quando Ló, diante da necessidade de escolher para onde iria, levanta os olhos e contempla a campina do Jordão:
“E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar.” (Gênesis 13:10 – ARA)
Ló escolhe pelo que os olhos veem. A terra era verde, fértil e próspera — aparentemente perfeita. No entanto, espiritualmente, aquela escolha o aproximou de Sodoma, um lugar marcado pela corrupção moral e pela distância de Deus. A vaidade da visão imediata falou mais alto que o discernimento espiritual.
Assim também acontece quando o ego governa as decisões. O poema expressa isso com força ao dizer: “Desejo atrás de desejo, fome atrás de fome”. O ego nunca se satisfaz. Ele sempre quer mais reconhecimento, mais aplausos, mais validação. O resultado é o “assassinato da verdade”, onde a alma, desprovida de sentido eterno, passa a se consumir lentamente.
Muito barulho, pouco sentido
O trecho “muito barulho, pouco sentido” descreve com precisão uma geração distraída, que caminha sem perceber o abismo à frente. Jesus já havia alertado sobre esse caminho largo, seguido por muitos, que parece atraente, mas conduz à perdição (Mateus 7:13).
A vaidade produz ruído. O ego grita. Mas Deus fala baixo. É por isso que tantos não O ouvem: não porque Ele deixou de falar, mas porque o barulho interior e exterior se tornou ensurdecedor.
Felizes os que são vestidos
O poema, porém, não termina em queda — termina em redenção. “Felizes os que são vestidos.”
Essa imagem nos remete diretamente ao início da história humana. No Éden, o pecado deixou o homem nu, vulnerável e envergonhado. E foi o próprio Deus quem, em Sua misericórdia, providenciou vestes (Gênesis 3:21). Desde então, ser vestido simboliza ser coberto pela graça, restaurado na dignidade e protegido pelo amor divino.
O apóstolo Paulo reforça esse chamado ao dizer:
“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 13:14)
Os “retirados estando na borda” são aqueles que, pela graça, são arrancados do limite da queda. Eles aprendem a calar as vozes da loucura — do ego, da vaidade, da multidão — para ouvir algo infinitamente maior: o amor que transborda.
Esse amor não expõe, não humilha e não consome. Ele cobre, restaura e devolve sentido à existência.
“O amor cobre uma multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8)
Conclusão: do brilho ao discernimento
“Desnudos” é mais do que um poema; é um chamado à consciência espiritual. Ele nos convida a avaliar se estamos vivendo pelo brilho da aparência ou pela luz do discernimento. Se estamos alimentando o ego ou permitindo que Deus revista nossa alma com Sua verdade.
Que possamos escolher não como Ló, apenas pelo que os olhos veem, mas como aqueles que aprendem a ouvir a voz de Deus acima do barulho do mundo. E que sejamos encontrados entre os felizes que são vestidos, cobertos não pela vaidade humana, mas pela graça que salva, cura e transborda.
Oração final
Senhor, livra-nos da vaidade que nos expõe e do ego que nos afasta de Ti. Silencia as vozes que nos confunde e reveste-nos com Teu amor, Tua verdade e Teu discernimento. Que nossos olhos não escolham sozinhos, mas que o coração seja guiado pelo Teu Espírito. Amém!


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